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| "Esse
filme veio na hora certa. A minha intuição
sempre me leva aos caminhos certos e as horas certas." |
A sua primeira experiência no cinema saiu do jeito
que você planejava?
Sempre fui fã de cinema, um verdadeiro
apaixonado. Cresci vendo cinema no Cine Cachambí
de Del Castilho. Vivia para ir ao cinema.
Depois de um tempo, comecei a fazer teatro, um teatro
de palavra, feito dentro da sala de aula, dentro de
ônibus, e até mesmo ao ar livre. O cinema
era muito distante da minha realidade, por isso a minha
paixão pelo teatro virou realidade mais cedo.
Depois veio a televisão que foi a minha verdadeira
faculdade, e ainda é. É o melhor exercício
pois me obriga a ser bom em vários gêneros.
Fazer televisão serviu como um ensaio de 20 e
poucos anos para que pudesse fazer meu primeiro filme.
Todas as vezes que pensava em fazer cinema achava que
tinha que parar tudo, todas as minhas outras atividades
para me dedicar exclusivamente a ele, e isso era muito
difícil acontecer. Então quando calhou
da minha novela acabar mais cedo, de estar sem projetos
na televisão, e o Daniel Filho ter que pegar
um outro trabalho. Tudo aconteceu. Foi um presente mais
uma vez vindo das mãos do Daniel: uma pessoa
super importante na minha vida. Esse filme veio na hora
certa. A minha intuição sempre me leva
aos caminhos certos.
Qual foi a sua impressão
sobre o roteiro mexicano?
O filme tinha uma concepção
pesada como o próprio título sugeria "Sexo,
Pudor Y Lágrimas", a minha sugestão
foi usarmos "Sexo, Amor e Traição":
algo que evoluísse para cima, que discutisse
pessoas como capazes de dizer eu te amo duas vezes ao
dia para pessoas diferentes, sem que esteja mentindo
para nenhuma delas. Nesse filme eu pude perceber que
além de uma boa história, os personagens
poderiam ser subvertidos para falar de uma realidade
maior, de uma angústia maior, como se relacionar
nos dias de hoje e conviver com alguém. Todos
nós vivemos problemas muito parecidos.
Então quer dizer a sua
participação nessa versão brasileira
veio trazer mais leveza ao filme?
Eu acho que para os mexicanos a versão
deles era leve. Para mim é que soava um pouco
pesado discutir coisas passadas, e isso eu quis tirar
do roteiro. Quis objetivar o filme pois não é
porque um casal que termina separado tem que estar infeliz,
quis dar uma positivada e uma saída para eles.
Outro aspecto legal no filme é o fato de nunca
se saber a hora que você está sendo visto
na sua própria casa, uma verdadeira janela indiscreta.
Como são dois casais um de frente para o outro
eles tem suas vidas devassadas. Tem a coisa do olhar
e achar que viu alguma coisa, interpretações
variadas. Isso tem a ver com o nosso cotidiano atual.
Você participou da escolha
do elenco?
Foi muito difícil reunir um elenco
como esse. É claro que já existia uma
base, mas alguns mudaram de papéis. A chegada
da Heloísa Périssé deu ao filme
uma subversão ao personagem que eu achava muito
obscuro. O filme ganhou muito com a entrada dela.
Eu gosto muito da direção mexicana, mas
o filme logo no começo classifica os personagens
como a boa, a má, o doido. Em nossa versão
existe uma troca de bastão entre os seis personagens,
é filme para ser assistido com um sorriso nos
lábios.
Você tem alguma expectativa
quanto ao sucesso do filme?
É muito imprevisível. Tudo mundo que começa
um novo trabalho visa o sucesso. O momento agora é
de fazer a criança. O sucesso independe da obra:
será uma soma de coisas, como um bom lançamento,
um bom teaser, grana para transformar isso num grande
projeto, a hora certa, o momento exato, os cinemas precisos.
Um conjunto de coisas...
Como está sendo fazer
cinema?
Se eu pudesse escolher não
teria outra vida. O cinema possibilita ao diretor dirigir
o ator, que é o que eu mais gosto de fazer, pois
enquanto eu faço de três a quatro cenas
por dia no cinema, na televisão são feitas
trinta cenas de cinco páginas cada. É
como tocar uma boiada. Eu não me sinto começando,
é como se eu estivesse fazendo a minha vigésima
quinta novela.
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